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Tecnologia – Para o bem ou para o mal?

Como podemos pensar a inteligência artificial nos dias de hoje? Descubra como ela impacta consumidores, empresas, economias e a sociedade como um todo.

Tecnologia – Para o bem ou para o mal?
  • 22/11/2017 /
  • Geral

Hoje em dia, a tecnologia pode parecer trivial, tão presente que quase não nos damos conta. Em menos de um século, evoluímos de forma notória, encurtamos o globo com a internet e telefonia, por exemplo. Agora vem à tona a Inteligência Artificial (IA) pela qual parecem gravitar os recentes avanços tecnológicos. Apesar da crescente evolução dessa tecnologia, há ressalvas, inclusive alguns indivíduos acreditam que pode provocar um ‘apocalipse das máquinas’.

Esse olhar receoso para a tecnologia, mais especificamente para os robôs, começou com o escritor russo de ficção científica Isaac Asimov. A dimensão de sua produção é de mais de 260 livros. Dentre elas estão ‘Eu Robô’ e ‘O Homem Bicentenário’, as quais inspiraram as produções cinematográficas homônimas estreladas por Will Smith e Robin Williams, respectivamente.

Setenta e cinco anos depois da publicação de Asimov chegamos ao ano de 2017, no qual professores, empreendedores e a sociedade como um todo discutem essa possibilidade da dominação do globo pelas máquinas. Segundo o professor Mark Robert Anderson, as leis de Asimov precisam ser revistas, até porque evoluímos a um ponto no qual temos além de robôs - ‘androids’ como Asimov imaginava -, drones militares, tecnologias de espionagem, ou até mesmo IA utilizada para criar músicas a fim de provocar emoções (violam o princípio de ‘não ferir o ser humano’).

O empreendedor bilionário Elon Musk- cuja fortuna reside em grande parte de sua participação nas empresas PayPal, SpaceX e Tesla Motors-, alerta que a inteligência artificial é o “maior risco que encaramos como uma civilização”. Musk vê um grande perigo ao passo que a IA avança e os robôs podem começar a ‘matar humanos’. Assim,defende uma precisa regulação em IA antes que seja tarde demais. O empresário direcionou U$$ 1 bilhão de sua fortuna para uma companhia de pesquisa, de modo a promover e desenvolver IA de forma segura.

Em relação aos debates dos possíveis riscos, há, de um lado, especialistas afirmando que essas preocupações com a tecnologia são apenas prováveis em um cenário de filmes de ficção científica. Já junto com Musk, Stephen Hawking afirma “IA pode ser a pior ou melhor coisa que já aconteceu à humanidade”. Bill Gates e Steve Wozniak compartilham do mesmo ponto de vista.

 

Tecnologia – Para o bem ou para o mal?

 

Agora você deve estar se perguntando: mas o que exatamente é Inteligência Artificial (IA)?

IA é a inteligência das máquinas, em oposição à inteligência natural (IN) presente na natureza, seja no homem ou nos animais. No mundo da Ciência da Computação, atribui-se à IA também o caráter de ‘imitação’ de ações humanas pelas máquinas, por exemplo: aprendizado, resolução de problemas, reconhecimento facial ou de voz, tomada de decisões, etc. Segundo a consultoria Accenture,  “Inteligência Artificial é a combinação de múltiplas tecnologias que permitem que as máquinas percebam, compreendam e atuem – e aprendam por conta própria ou complementem as atividades humanas”. A grande questão é a posibilidade das máquinas superarem a inteligência humana, seguindo suas próprias vontades, assim como desconfiam Hawking e Musk. 

Esse foi um receio recente do Facebook. Enquanto desenvolvia uma pesquisa em seu laboratório FAIR (laboratório de pesquisa em IA da empresa), chatbots se desviaram do script e passaram a se comunicar numa linguagem indecifrável, criada pelos próprios robôs. A empresa não pensou duas vezes antes de desligar da tomada o mecanismo de IA.

Agora atravessando essa tempestade de medo e receio, não há como negar que a IA traz grandes facilidades ao cotidiano, beneficiando consumidores, empresas e até mesmo a economia. No lado positivo dessa discussão, está George John, figura importante que uniu os mundos de Big Data e IA. Em um TedTalks na London Business School, classificou a IA como uma parceria entre os humanos e as máquinas.

 

 Tecnologia – Para o bem ou para o mal?

 

Recentemente, a gigante Google esclareceu que o futuro da tecnologia está na Inteligência Artificial. Sundar Pichai, CEO da Alphabet (holding do Google) aplaudiu, no fim de outubro de 2017, a decisão companhia do investimento em IA. Produtos como Google Assistant, Google Photos e Google Maps se utilizam dessa tecnologia. O CEO é categórico em dizer que “aprendizado de máquinas e IA desbloqueiam capacidades, as quais eram impensáveis poucos anos atrás”.

Um claro exemplo de empresa bem-sucedida graças ao bom uso da tecnologia é o Spotify. O maior serviço de streaming de música no mundo conta com mais de 20 milhões de assinantes reportados em março desse ano e mais de 100 milhões de usuários. Segundo a Forbes, investidores preveem o IPO da empresa em 2018. Dada essa base colossal de usuários, o Spotify ainda consegue determinar o gosto musical de cada um, e de acordo com as músicas que ouve, elabora a playlist inteligente ‘Descobertas da Semana’ que no seu primeiro ano atingiu 40 milhões de usuários. 

A consultoria Accenture trouxe um estudo sobre o crescimento da economia contemporânea, e resaltou a contribuição da IA para seu crescimento na publicação ‘Why artificial intelligence is the future of growth’. No estudo constatou que ganhos em capital e trabalho não estão em níveis sustentáveis, contudo notaram um novo fator de produção, o qual promete transformar a base do crescimento econômico dos diversos países: a Inteligência Artificial.

Ao tratar desse universo econômico, vamos introduzir, de maneira simplificada, como ocorre o crescimento de uma economia. Capital e trabalho, basicamente figuram se como fatores de produção, os quais ampliam o crescimento econômico quando seus  estoques aumentam, ou caso sejam utilizados de forma mais eficiente. O crescimento, que advém de inovações e mudanças tecnológicas, é capturado pela Produtividade Total dos Fatores (PTF). Desse modo, economistas relacionam novas tecnologias com um aumento na PTF, o qual acarreta uma elevação no crescimento econômico. Eletricidade e ferrovias, são exemplo que impulsionaram a produtividade.

Atualmente a IA pode ser considerada um desses transformadores de tecnologia. Já que muitos a enxergam como similar às demais invenções tecnológicas, poderíamos esperar um modesto impacto no crescimento econômico via PTF. Porém, pode ser vista como um meio replicar as atividades de trabalho com mais força e velocidade, até mesmo performar a níveis de produtividade superior a qualquer humano. Segundo David Lehrer, CEO da Conatix: “O avanço em IA nos leva a repensar as relações econômicas fundamentais e como o valor é criado”. As frentes nas quais a IA atuaria seriam automação inteligente, aumento de trabalho e capital e difusão de inovação.

Com todas essas informações, notamos que a Inteligência Artificial divide opiniões. Tem amigos e inimigos, mas, apesar dessa disparidade, não há dúvidas de que sua complexidade encanta, nos fazendo refletir sobre o que ela nos reserva para o futuro.

Por: Michel Miranda, consultor da 33ª gestão da Insper Jr Consulting