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Radiação Hawking

Radiação Hawking
  • 24/04/2018 /
  • Blog Econômico

            Nascido no mesmo dia em que Galileu Galilei completara 300 anos de falecimento, e falecido na data de nascimento de Albert Einstein. Coincidências advindas do calendário podem acontecer com qualquer um e, geralmente, não indicam qualquer circunstância. Todavia, há casos como o exemplificado há pouco, mas também há casos como o de Stephen Hawking. Morto em 14 de março, o cientista começara sua resiliente trajetória no ano de 1942, em Oxford, cidade localizada no coração do Reino Unido. Lá, o renomado cosmologista, já universitário, descobriria a fatídica doença que mudaria sua vida para sempre. Aos 21 anos, Hawking foi diagnosticado com ELA (esclerose lateral amiotrófica), mal que lhe tiraria os movimentos corporais diariamente. Ao cientista, foram previstos meros dois anos de vida restantes. Felizmente, o afinco com a ciência, evidenciado desde a data do seu nascimento, fez com que a vida do futuro cosmólogo tomasse outro rumo.

            Fossem suas ambições aquelas de um garoto qualquer, Stephen provavelmente teria abandonado os estudos de cosmologia, e passado seu tempo remanescente viajando ao lado de seus entes queridos. Todavia, o garoto nutria de inteligência e curiosidade ímpares. Tais características impulsionaram o homem que teve, ao longo de sua vida, uma série de obras e constatações que mudariam a humanidade para sempre. Sua hipótese mais famosa, a “Radiação Hawking”, é motivo de inúmeros paradoxos na física moderna, e suas obras literárias expuseram o público ao carisma de alguém que jamais se renderia à paralisia.

            É necessário, todavia, ressaltar a referida inteligência de Stephen Hawking. Dentre os feitos que constam em seu vasto currículo, destacam-se descobertas acadêmicas, bem como menções honrosas ao cosmólogo. O britânico tem, dentre os seus méritos, a elaboração do "Teorema Penrose-Hawking das Singularidades". Esse teorema demonstra a forma como singularidades, que compreendem radiações luminosas e buracos negros, manifestam-se no espaço-tempo. A "Radiação Hawking" também merece destaque, já que Stephen foi responsável, com esse teorema, por exprimir a forma de radiação advinda dos buracos negros. O cientista tem, como mérito em seu embasamento, a honra de ter sido o primeiro teórico a explicar a cosmologia a partir da interface entre as teorias da relatividade e as noções advindas da mecânica quântica. Ele foi honrado, por fim, com a medalha presidencial da liberdade, medalha essa entregue, como forma de prestígio, pelo presidente dos Estados Unidos. Os já citados esforços foram possíveis, destaca-se, pela determinação ímpar advinda do britânico, algo que possibilitou, dentre outros aspectos, a sua longevidade.

            Stephen Hawking, todavia, não tem, nessa longevidade e nos estudos, os seus maiores méritos. O britânico era, por conseguinte, visto como um “comunicador da ciência”, habilidade essa considerada rara dentre os cientistas. Em suma, o homem tinha a rara destreza de passar seus conhecimentos ao público de uma forma simples e sintetizada, característica essa que reiterou seu carisma ao longo de seus 76 anos de vida. Na introdução de sua mais celestial obra, "Uma Breve História do Tempo", o cosmólogo inclusive relata “Alguém me disse que cada equação que eu incluísse no livro reduziria as vendas pela metade, assim, resolvi não utilizar nenhuma”. Esse apelo popular levou Stephen Hawking a se tornar um ídolo pop. O cientista conta com aparições no cinema e na televisão, além da participação na música Keep Talking da banda Pink Floyd.

            Como símbolo mundial, é de se imaginar que a morte do britânico deixe sequelas na população. Contudo, mais vale indagar sobre a lição que o homem simboliza. Sua determinação deve servir de modelo a todos aqueles que questionam sua posição perante o meio em que habitam. Sua resiliência servirá para sempre como inspiração àqueles que se curvam a situações adversas, e as tragédias que cercaram sua vida tocarão os sentimentos de uma população que carece de seres humanos como Stephen Hawking. Faleceu, no dia 14 de março, um cientista de genialidade rara, e, principalmente, de caráter inigualável. Em termos corriqueiros, a “Radiação Hawking” é aquela que emana de um buraco negro, exalando massa e energia. A veracidade desse fenômeno é a hipótese mais celebrada do cosmólogo britânico. Todavia, pode-se interpretar tal radiação como algo que impactará a vida de milhares de seres humanos, basta chamar de “Radiação Hawking” toda a inspiração que emana da morte de um personagem tão singular.

 

Por Gianluca Formicola, consultor da 34ª gestão.