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Protecionismo Norte-americano

Protecionismo Norte-americano
  • 27/03/2018 /
  • Blog Econômico

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou no dia 8 de março as sobretaxas aplicadas na importação do aço (25%) e do alumínio (10%).  A medida está valendo desde o dia 23 de março, quinze dias após a assinatura do presidente. Segundo Trump, essa decisão foi tomada por necessidade e não por escolha, haja vista que a política é destinada a proteger produtores e fomentar a criação de postos de trabalho na economia norte-americana.

Inicialmente, os únicos países isentos da taxação são México e Canadá. Isso porque, de acordo com o presidente, essas economias não ameaçam o mercado dos Estados Unidos. Além disso, Trump disse que há a possibilidade de outras nações solicitarem a isenção da taxação. Entretanto, os critérios avaliados para receber o benefício não foram divulgados e a única informação disponibilizada pelo governo é que o benefício será concedido apenas aos países que tratam os EUA de “maneira justa no comércio”.

Como já citado anteriormente, um dos objetivos da medida tomada pelo presidente é desenvolver a indústria nacional e, consequentemente, gerar maiores níveis de emprego. A decisão de taxar aço e alumínio, insumos fundamentais para construção e manufatura, vai de acordo com um dos argumentos apresentados pelo Trump em discurso na Casa Branca, que defende que a melhor forma para empresas escaparem da taxação é abrindo fábricas. Além disso, a medida também visa acabar com práticas comerciais injustas. Segundo Donald Trump, “a indústria americana de aço e alumínio vem sendo devastada por práticas comerciais internacionais agressivas”.

Em seu discurso, pouco antes da assinatura da medida, Trump defendeu sua decisão argumentando que uma economia independente deve ser capaz de produzir aço e alumínio por si só. Segundo o presidente “se não tem aço, não tem país”. A medida protecionista é uma das promessas feitas por Trump nas eleições presidenciais de 2016. A medida foi tomada após estudo realizado pelo Departamento de Comércio dos EUA concluir que os altos níveis de importação de aço e alumínio estavam enfraquecendo a economia norte-americana.

A decisão de sobretaxar produtos tão importantes na economia mundial como aço e alumínio irá gerar impacto no mundo inteiro, principalmente na China, que, atualmente, é a maior economia produtora desses dois bens. Os impactos no Brasil também serão significativos, uma vez que a economia brasileira é a segunda maior exportadora de aço para os Estados Unidos. Algumas empresas norte-americanas devem continuar comprando o produto brasileiro, seja pela qualidade, preço, fidelidade ou até mesmo por contratos já assinados. Entretanto, a economia brasileira ainda sofrerá com a decisão protecionista.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirmou que o Brasil deverá ter um recuo de cerca de 30% nas exportações do produto para os Estados Unidos e, além disso, concorrerá com economias como China e Rússia para obtenção de novos mercados consumidores. O Brasil irá procurar mercados na América do Sul, Oriente e África, já que nesses lugares há um menor número de siderúrgicas ou empresas com capacidade de produção suficiente. Todavia, é improvável que a quantidade exportada pelo Brasil para esses lugares corresponda aos 35% exportados anteriormente aos Estados Unidos, principalmente se considerarmos que Rússia e China também estarão indo atrás de novas economias para ofertar os produtos.

O atual ministro da fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, se posicionou contra a medida, pois defende o livre comércio e acredita que a alíquota é prejudicial inclusive para os Estados Unidos, haja vista que os produtos se tornarão muito mais caros com o aumento dos preços dos insumos. Segundo o Ministro, ainda que a medida traga malefícios a economia brasileira, ela não interferirá na recuperação econômica do país. Ele também se pronunciou dizendo que o Brasil ainda estuda as possíveis medidas que devem ser tomadas para reverter as consequências geradas pela taxação do aço e do alumínio.

Os países da União Europeia estão se organizando para tomarem medidas em conjunto, mas também se preparam para reagir separadamente. No dia 04 de março, a Bloomberg divulgou uma parte do pacote de retaliações organizada pela União Europeia. A lista de produtos que devem vir a ser taxadas contra a medida norte-americana conta com produtos da Harley Davidson, suco de laranja, uísque, produtos agrícolas, entre outros. A Comissária Europeia  Cecilia Malmström, anunciou que a União Europeia não teme a medida protecionista e afirma que o bloco se defenderá. Como resposta e como proteção à indústria, os países da União Europeia também devem taxar produtos vindos dos Estados Unidos e devem solidificar ainda mais as negociações com economias com as quais possuem acordo de livre comércio.

A China também irá se defender diante das medidas tomadas por Donald Trump. Segundo o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, a resposta será “apropriada e necessária”. Em oposição à “guerra comercial” iniciada pelos Estados Unidos, a economia responsável pela maior exportação de aço e alumínio do mundo, já se pronunciou, afirmando que adotará medidas contra as exportações norte-americanas. O debate ainda está em pauta, mas um dos produtos apontados para taxação é a soja americana, que em 2017 totalizou US$ 14 bilhões da conta dos chineses.

 

Por Carolina Schmitt, Consultora da 34ª Gestão.