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Produto Interno Bruto (PIB)

Produto Interno Bruto (PIB)
  • 27/03/2018 /
  • Conjuntura Econômica

O Produto Interno Bruto (PIB) é um indicador macroeconômico que agrega todos os bens e serviços produzidos dentro de um determinado país em um determinado período (ano, semestre, mês), em unidades monetárias. Para isso, abrange os bens e serviços finais, os investimentos e os gastos do governo. Enquanto que as atividades informais ou ilegais não entram em sua composição, assim como os bens intermediários (insumos e mão-de-obra), os serviços não remunerados e os bens já existentes, evitando, então, uma dupla contagem do PIB.

A partir desse indicador econômico, é possível avaliar variações reais da produção doméstica, explicitando expansão ou recuo na comparação de dois períodos distintos. Uma maior produção real indica avanço no consumo e, por conseguinte, criação de novos postos de trabalho, impulsionando positivamente o crescimento econômico local. Correlacionado com outros índices de mesma importância, a compreensão do PIB se faz essencial para o entendimento dos ciclos econômicos que a região em análise passa.

Após elevadas taxas de crescimento, ainda no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, a economia brasileira vem sendo caracterizada por uma forte retração nos últimos anos. Depois da crise de 2008, políticas de concessão de crédito direcionadas contribuíram para o aumento do investimento advindo das indústrias, além da política populista que estimulava a expansão do consumo das famílias. Isso trouxe um impacto positivo ao Produto Interno Bruto do Brasil que chegou a alcançar 7,53% de crescimento em 2010, mesmo ano em que ocupou o sexto lugar entre as economias mais consolidadas. No entanto, o direcionamento de crédito no país criou fortes perturbações financeiras, já que os bancos públicos ofertaram empréstimos a taxas de juros mais baixas do que as de mercado. Assim, prejudicou o funcionamento da política monetária local, uma vez que esta política é feita através do controle sob os juros. Por consequência, ofertas de crédito a taxas menores que a de mercado fazem com que alterações na taxa de juros, feitas pelo COPOM, sejam menos eficientes.

Entretanto, a partir de 2010 o Produto brasileiro continuou a crescer, embora de maneira mais contida. O desejo de crescer a taxas exorbitantes levou o Banco Central em 2012, sob a direção de Alexandre Tombini, a reduzir aceleradamente os juros nominais no país, mesmo na presença de um avanço de preços. Como resultado disso e do controle de preços administrados, a expansão da inflação se mostrou presente, alcançando em 2015 variação anual do IPCA de 10,67%. Além disso, devido à ineficiência de políticas microeconômicas, a capacidade produtiva e a produtividade do Brasil foram afetadas, indicando um choque negativo de oferta a médio prazo.

Produto Interno Bruto (PIB)

Fonte: Banco Central

Tais motivos foram suficientes para que as famílias passassem a reduzir seu consumo. Com a pressão inflacionária se intensificando, foi necessário realizar aumentos na taxa de juros, reduzindo formação de capital bruto e aumentando os níveis de desemprego. As mesmas medidas acarretaram um fraco desempenho da economia, quando no ano de 2014, apesar de ter superado as expectativas de analistas, o PIB brasileiro fechou com uma alta de apenas 0,5%. Isso ocorreu muito em função da indústria ter registrado seu pior desempenho, reduzindo em 1,2%, e os investimentos privados terem reduzido em 4,4%. A partir de tal período, passou a apresentar crescimento negativo até o momento atual, atingindo -3,77% em 2015 frente a 2014, pior resultado desde 1990 (-4,3%), quando Fernando Collor de Mello assumiu o governo e decretou o confisco da poupança. Com uma sucessão de retrações nos três primeiros trimestres do ano de 2015, o país entrou na chamada recessão técnica. Isso ocorre quando há uma sucessão de resultados negativos na economia.

Para efeito de comparação, o PIB do Brasil no primeiro trimestre de 2015 teve uma variação negativa de 0,7% com relação ao último trimestre de 2014. Ainda, com relação ao primeiro trimestre de 2014, a queda foi maior, cerca de 1,6%. Vale ressaltar comparado aos quatro trimestres imediatamente anteriores a queda foi de 0,9%.

Primeiro trimestre de 2015

Produto Interno Bruto (PIB)

Fonte: ADVFN

O segundo e terceiro trimestre de 2015 também apresentaram números inferiores aos do ano anterior. Enquanto o segundo trimestre teve uma redução de 2,6% com relação ao mesmo período do ano anterior, o terceiro trimestre teve a maior queda entre os outros, cerca de 4,5% na comparação com igual período do ano de 2014. Neste trimestre, a queda dos investimentos (-15%), do setor industrial (-6,7%) e do consumo das famílias (-4,5%) foram os principais motivos para o péssimo desempenho da economia. Além disso, analisando os outros setores, percebe-se que todos registraram queda, a agropecuária registrou retração de 2,0%, e serviços caiu 2,9%.

Segundo trimestre de 2015

Produto Interno Bruto (PIB)

Fonte: ADVFN

Terceiro trimestre de 2015

Produto Interno Bruto (PIB)

Fonte: ADVFN 

Isso é um reflexo do tumultuado cenário político acerca das últimas eleições presidenciais, das projeções pessimistas de retração e da consequente redução de confiança dos investidores pelo qual o país estava passando.

Os índices de confiança dos consumidores (ICC) e dos empresários industriais (ICI) também compreenderam grande volatilidade no ano de 2016. Após o afastamento da então presidente Dilma, deixando o cargo para seu vice Michel Temer, os índices registraram aumento de 5,3% para os empresários industriais e 5,0% para os consumidores. No entanto, com a instabilidade política, escândalos de corrupção, diversos ministros citados em delações e uma atividade econômica apresentando uma recuperação lenta, estes índices sofreram pequenas acomodações na margem, que indicam a estabilização destes indicadores após diversas altas expressivas - em outubro de 2016 estavam em 0,9% e 1,9% para a indústria e os consumidores, respectivamente (dados da FGV/IBRE). Estes indicadores são considerados antecedentes do PIB, ou seja, quando os mesmos apresentam um crescimento, a tendência é que a atividade econômica siga o mesmo caminho. Todavia, estes índices não se concretizaram em um crescimento do PIB, seja pela incerteza política, seja pela oferta de crédito reduzida ou pela baixa credibilidade do governo.

 

 Produto Interno Bruto (PIB)

Fonte: IBGE e FGV (2016)

No ano de 2016, o consumo das famílias ainda vinha apresentando um desempenho negativo em relação às vendas no varejo. Segundo o IBGE, as vendas do comércio ampliado tiveram uma queda de 2,8% no terceiro trimestre frente ao segundo trimestre do ano, com dados dessazonalizados. Todos os segmentos apresentaram recuo; no entanto, alguns mediram um desempenho ainda pior, como vendas de automóveis, motocicletas, partes e peças (4,3%) e tecidos, vestuário e calçados (4,4%). No geral, as vendas no comércio varejista diminuíram 2,1%.

A queda no consumo nos últimos trimestres desse mesmo ano correspondeu a condições do mercado de trabalho, o qual apresentou alta taxa de desemprego e redução no rendimento por trabalhador. Junto a isto, o elevado grau de endividamento das famílias, quando combinado com a redução no crédito, fizeram com que os consumidores diminuíssem sua atividade.

 Produto Interno Bruto (PIB)

Fonte: IBGE (2016)

Assim, o crescimento econômico brasileiro registrou queda de 3,59% no ano de 2016, confirmando a pior recessão da história do país. Esse encadeamento de dois anos consecutivos de baixa só tinha sido observado anteriormente em 1930 e 1931. Em valores correntes o Produto Interno Bruto somou R$ 6,266 trilhões, em 2016, e o PIB per capta R$ 30.407 - conferindo uma queda de 4,4% em relação ao ano anterior. No terceiro trimestre de 2016, o PIB teve retração de 0,8% comparado ao trimestre anterior, sétima contração seguida. Em relação ao mesmo período de 2015, houve queda do PIB (-2,9%) pela décima vez seguida, devido ao mau desempenho dos três setores que compõem seu cálculo (agropecuária registrou redução de 1,4%, indústria, de 1,3%, e os serviços, de 0,6%). Assim, o país caiu para a 9ª posição no ranking das maiores economias do mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Outro fator de grande relevância não só para o PIB mas também para a taxa de desemprego é o nível de ociosidade da indústria. A FGV calcula o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI), que ajuda a perceber com que capacidade a indústria vem operando. Até meados de 2014, o índice vinha seguindo em estabilidade; no entanto, a partir de 2015, entrou em um período de contração que segue até os dias de hoje. Isso significa que a indústria brasileira vem operando com uma elevada ociosidade que se deve principalmente pelo fechamento de diversas empresas ou de determinadas filiais.

Produto Interno Bruto (PIB)

Fonte: Portal da indústria

A nova gestão do Banco Central teve uma postura mais conservadora, no final de 2016, quanto ao corte das taxas de juros, dado que seu objetivo principal era estabilizar a inflação que estava em patamares muito elevados. Em contrapartida, o endividamento tanto para as famílias quanto para as indústrias se tornou mais caro, dado que os juros estavam elevados, o que resultou em uma redução no consumo e no investimento. Além disso, a taxa de juros controla a quantidade de moeda em circulação, quando os juros estão muito elevados se torna mais atrativo para os indivíduos investir em títulos ao invés de investir em bens de consumo ou capital fixo. Na reunião de agosto de 2016, o COPOM manteve as taxas de juros à 14,25%, frustrando as expectativas de boa parte do mercado. Posteriormente foram feitos cortes de 0,25p.p. que sinalizavam um começo da flexibilização nas políticas monetárias.

Na 208ª reunião do COPOM, que ocorreu nos dias 25 e 26 de julho de 2017, decidiu-se, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em um ponto percentual, para 9,25% a.a.. Além disso, como o nível de ociosidade da indústria ainda era elevado e as taxas de juros se encontravam em um patamar alto, embora tenha sido realizado um corte de 1,00p.p. na taxa Selic, as expectativas são de que a atividade irá evoluir de maneira gradativa, podendo fechar o ano de 2017 com um crescimento positivo, porém não tão expressivo (próximo de zero).

O conjunto dos indicadores de atividade econômica divulgados desde a última reunião do COPOM permanece compatível com a estabilização da economia brasileira no curto prazo e a recuperação gradual. O recente aumento de incerteza quanto ao ritmo de implementação de reformas e ajustes na economia impactou negativamente índices de confiança dos agentes econômicos. No entanto, a informação disponível sugere que o impacto dessa queda de confiança na atividade tem sido, até o momento, limitado;

A trajetória recente dos principais indicadores econômicos corrobora com o cenário de estabilização e perspectiva de retomada da atividade econômica. Após oito trimestres seguidos de retração, a economia brasileira registrou a primeira alta nessa comparação, crescendo 1,0% no primeiro trimestre de 2017, em relação ao trimestre anterior, endossando essa perspectiva. A safra recorde tirou o Brasil de um ciclo de queda e fez com que o PIB da agropecuária crescesse 13,4% nesse primeiro trimestre, enquanto a indústria aumentou abaixo do esperado (0,9%) e serviços se manteve estável.

Primeiro trimestre de 2017

 Produto Interno Bruto (PIB)

Fonte: ADVFN

O surgimento da crise política envolvendo o governo de Michel Temer, após as delações da JBS, fez com que algumas consultorias, bancos e agências de risco piorassem suas expectativas em relação à recuperação da economia brasileira neste ano.

Produto Interno Bruto (PIB)

A expectativa do FMI para o fechamento do PIB no ano de 2017, foi de que Brasil se erga depois de uma profunda recessão, com um crescimento de 0,2% no respectivo ano, e de 1,7% em 2018. As perspectivas brasileiras continuaram sendo afetadas pela série de reformas propostas pelo governo e o progresso da incerteza política. “O crescimento em 2017 será sustentado pela safra de soja, pelo aumento do consumo, impulsionado pela liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), uma retomada gradual do investimento e a alta dos preços do minério de ferro”, explica o fundo sobre o PIB brasileiro. Em resumo, com base nas previsões realizadas pelo FMI, o Brasil deve subir para a 8ª posição no ranking de maiores PIBs.

Produto Interno Bruto (PIB)

Fonte: FMI

Já em relação às previsões do relatório de mercado Focus do Banco Central do Brasil, divulgado no dia 21 de julho de 2014, a expectativa de crescimento do PIB brasileiro se manteve em 0,34% para 2017, e para o ano de 2018, 2,0%.

Alguns analistas ainda tomaram uma postura mais conservadora quanto ao crescimento da atividade em 2017. Segundo eles, a instabilidade política e o desempenho negativo em 2016, o qual causam impactos estatísticos negativos nas projeções futuras, fazem com que as projeções para 2017 sejam de um crescimento negativo próximo de zero.

No entanto, a XP Investimentos manteve sua projeção para o PIB deste ano, com um intervalo de 0 a 0,5%. Zeina Latif, economista-chefe do grupo, argumenta que os principais “canais" pelos quais a economia pode ser contaminada pela crise política não foram afetados de maneira tão intensa.

Comportamentos mais favoráveis na economia levou o FMI a ter previsões mais otimistas para o ano de 2018. Devido a um início de ano com inflação baixa, recuperação dos preços das commodities e uma retomada nos investimentos, foi previsto um aumento de 1,9% no PIB, representando um aumento de 0,40p.p. da projeção previamente feita em outubro do ano anterior. Entretanto, é válido ressaltar que existe pendências a serem encaradas na Previdência e nas áreas fiscal, tributária, comercial e agrária. Esse fato corrobora com a preocupação de Alejandro Werner, diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental, no mandato do próximo governo para realizar essa agenda de reformas. Segundo ele, “em termos da incerteza eleitoral, são grandes os desafios do Brasil para levar a cabo o processo de consolidação fiscal, de estímulo aos investimentos e ao crescimento econômico”.

Produto Interno Bruto (PIB)

Fonte: Boletim Focus

Já o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o crescimento do PIB pode superar os 3% que o governo teve de previsão para 2018. Ele ressalta o crescente número de estrangeiros querendo investir no Brasil, superando o de 2017, mas que, no entanto, deve ser visto com cautela devido às eleições.