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IPCA

IPCA
  • 27/03/2018 /
  • Conjuntura Econômica

 

O IPCA é um índice que mede a inflação com base em uma cesta de produtos. Antes de fazer a análise do IPCA, é válido explicar o que é inflação e como ela é calculada. A taxa de inflação mede a evolução do nível de preços. Ou seja, é a média do crescimento ou decrescimento dos preços de um conjunto de bens e serviços, em um determinado período.

Existem dois principais tipos de inflação, a inflação de demanda, quando há excesso ou falta de demanda agregada em relação à produção disponível, e a inflação de custos. Nela, o nível da demanda permanece constante, no entanto os custos de produção sofrem aumento ou queda. Com isso, ocorre uma mudança na produção, elevando ou diminuindo o nível de preços do mercado.

Com o objetivo de mensurar os níveis de inflação, os países criam índices que são calculados com base em uma cesta de produtos pré-determinada. No Brasil, o índice que o Banco Central adota como sendo o principal medidor do nível dos preços é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O IPCA é um indicador econômico medido mensalmente pelo IBGE, criado com o objetivo de indicar a variação dos preços no comércio para o público final. É mensurado através do conjunto de produtos e serviços consumidos no varejo por famílias com rendimento de até 40 salários mínimos. Desde 1999, é considerado pelo Banco Central como o índice oficial de inflação do país, e é utilizado para verificar o cumprimento da meta estabelecida por ele.

Para o cálculo do IPCA são considerados nove grupos de produtos e serviços: alimentação e bebidas; educação; artigos de residência; comunicação; despesas pessoais; saúde e cuidados pessoais; habitação; transportes e vestuário. Cada grupo possui um respectivo peso na mensuração do índice, como demonstrado no gráfico abaixo:

IPCA

Fonte: Banco Central

O índice de inflação é fundamental para a tomada de decisão, não apenas por parte dos agentes econômicos, mas dos consumidores como um todo. Uma elevação nesse índice é prejudicial à população, pois diminui o poder de compra do consumidor. Mantido o seu salário em um nível estável, o consumidor possuirá, com o tempo, uma restrição orçamentária ainda maior, mediante o aumento de seu custo de vida. A retração no consumo da população ainda leva a uma consequente redução no crescimento do país.

Todavia, níveis de inflação, se mantidos dentro das metas de cada país não são prejudiciais para a economia, pelo contrário, possibilitam a prática de políticas econômicas que auxiliam o crescimento e minimizam os impactos de choques negativos. Quando a inflação de um país está acima do ideal, a economia se torna superaquecida e a taxa de desemprego se encontra abaixo do natural. Em contrapartida, quando o aumento do nível de preços é abaixo do ideal, a economia se encontra em retração e o desemprego acima do ideal.

Em busca de direcionar a inflação ao nível desejável para a economia brasileira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelece periodicamente uma meta oficial de inflação. A meta de inflação brasileira para o ano de 2018 é de 4,50, com intervalo de tolerância de menos 1,5% e mais 1,5% até 2018. Para 2019 a meta é de 4,25% também com tolerância de mais ou menos 1,5%. Para atingir as metas e se manter dentro do intervalo de tolerância, o Banco Central (BC) utiliza seu poder sobre a política monetária. O principal instrumento utilizado pelo BC, para controlar a inflação, é a taxa básica de juros – a Taxa Selic. Ao perceber uma taxa de inflação acima da meta, a tendência é que o Banco Central eleve a Taxa Selic, impactando em uma piora nas condições de crédito para a ampla população, consequentemente retraindo o consumo e diminuindo os preços. Do mesmo modo, com uma inflação abaixo da meta, é esperado que o BC diminua a taxa de juros em vias de impulsionar a demanda local e retornar a taxa de inflação ao nível desejável.

O Brasil não tem boas experiências quanto ao controle do nível de preços. Se analisarmos a história econômica do país, houveram diversos episódios de hiperinflação e diversas políticas que foram tomadas com o intuito de conter  o aumento descontrolado dos preços. Nos últimos anos a inflação brasileira segue uma trajetória de queda, após atingir níveis muito elevados. Ao final de 2015 o país chegou a enfrentar um nível inflação de 10,67%. Esse movimento de queda ocorreu após medidas austeras tomadas pelo Banco Central.

IPCA

Fonte: Banco Central

O IPCA do Brasil fechou 2017 com o acumulado de 2,95%, nível muito satisfatório se compararmos com o histórico de preços no Brasil. Alguns fatores, além da política monetária, contribuíram para atingirmos a inflação atual, como por exemplo a supersafra de 2017. Uma maior quantidade de alimentos no mercado, ou seja maior oferta, reduz o preço da cesta de alimentos do consumidor. O período de crise acarretou um nível elevado de desemprego e com isso a demanda agregada por parte dos consumidores foi reduzida.  Esses fatores tiveram grande importância para atingir o nível de preços atual.

Em dezembro de 2017, o IPCA-15, prévia da inflação do mês, registrou a menor deflação em cerca de 17 anos. A redução no período foi de 3,64 pontos percentuais. Dos nove grupos analisados pelo IBGE, Alimentação/Bebidas e Transportes registraram aumento de 0,76% e 0,86% respectivamente. Além disso, os principais grupos que desaceleraram o nível de preços foram habitação e artigos de residência.

Outro fator importante, e que possivelmente causará impacto no índice IPCA nos próximos meses, é o aumento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a gasolina, etanol e diesel. Os resultados desse aumento divergem entre a opinião de analistas de mercado. Alguns analistas, acreditam em um impacto positivo no índice de preços, elevando-o cerca de 0,63% nos próximos meses. No entanto, segundo consultorias e outros analistas de mercado, esse aumento não trará grandes impactos futuros.

A meta de inflação perseguida pelo Banco Central para o ano de 2018 é de 4,5%, sendo o intervalo de tolerância de 3% a 6%. Esse aumento no nível de inflação, se comparado ao ano de 2016, decorre de uma melhoria no cenário macroeconômico brasileiro. Além disso, segundo analistas do Boletim Focus, a inflação projetada deve se manter na casa dos 4% até 2021, caso não existam fatores adversos durante este período.

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Fonte: Banco Central