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Estado Islâmico e o Preço do Petróleo

Estado Islâmico e o Preço do Petróleo

Estado Islâmico e o Preço do Petróleo
  • 10/01/2018 /
  • Geral

Nos últimos anos, o mundo vem se deparando com uma onda cada vez maior de atentados e grupos terroristas. Um dos grupos que mais contribuiu para isso foi o Estado Islâmico. Seu surgimento ainda é uma incógnita para diversos historiadores, que debatem se o início se deu logo depois das invasões americanas no Iraque, em 2003, ou na década de 90, após os conflitos no Afeganistão. Independentemente de sua origem, o grupo extremista conseguiu a atenção da comunidade internacional após a realização de diversos atentados terroristas contra vários países nos últimos anos.

Um dos pontos mais importantes a serem destacados é a forma na qual os grupos terroristas conseguem seu dinheiro. Na maioria das vezes, são patrocinados por algum investidor, ou até mesmo algum país. No caso da Al-qaeda, por exemplo, foi financiada pelos Estados Unidos durante a guerra do Afeganistão (década de 80), com o intuito de expulsar os russos do território. Esse financiamento foi fundamental para a estruturação do grupo. Com o Estado Islâmico não foi diferente. Por ter surgido como uma vertente da Al-qaeda, os jihadistas conseguiram seu incentivo inicial por meio do capital do grupo. Apesar disso, atualmente o EI (Estado Islâmico) não mantém seu dinheiro apenas por meio de financiamentos, e sim pelo controle de diversos territórios.

Em junho de 2014, o grupo extremista declarou a criação de seu califado islâmico, que basicamente significa a forma monárquica de governo (no islã). Desde 2004, a principal meta do grupo é a criação de um Estado Islâmico. O território declarado está dentro do Iraque e da Síria, e no final de 2014, mais de 11 milhões de pessoas viviam no espaço controlado pelo grupo. Com a obtenção desse território, o EI passou a controlar sete poços de petróleo na síria e três no Iraque, apesar da perda do território de Mossul, neste ano, para as forças iraquianas apoiadas pela coalizão internacional.

O controle dos poços de petróleo fez com que o Estado Islâmico conseguisse gerar sua própria receita ao vender os barris por um preço mais competitivo. Três quartos de sua produção se mantém nas regiões próximas à Síria e ao Iraque, visto que o risco e o custo de exportação são problemas que o grupo está tentando ao máximo evitar, afirma o professor universitário especialista em Oriente Médio, Joshua Landis. Além disso, o petróleo é utilizado como moeda de troca por diversos suprimentos – principalmente armas para atentados e conflitos na região.

Apesar da produção não ser expressiva como a de um país do Oriente Médio, existem diversos fatores que corroboram para o declínio no preço do petróleo que estão relacionadas ao EI.  

 Estado Islâmico e o Preço do Petróleo

O gráfico acima mostra o preço do barril de petróleo nos últimos anos. Pode-se perceber que o preço caiu muito desde 2014 e, atualmente, não possui previsão para valorização. Apesar do montante de petróleo fabricado pelo Estado Islâmico não ter tamanho para alterar diretamente no mercado dessa commodity, a grande instabilidade política na região é sim um fator que pode alterar o preço do barril. Além disso, os diversos ataques terroristas e o medo que rodeia os países que são “alvo” do grupo terrorista, como Turquia e os Estados Unidos, são fatores determinantes para oscilar o mercado petrolífero.

No Brasil, o preço do combustível não é diretamente afetado visto que a Petrobras e o governo brasileiro fixam o preço com o argumento de buscar evitar a volatilidade ao consumidor, diferentemente do mercado internacional. Todavia a queda da cotação diminui a arrecadação dos royalties sobre a produção, afetando a receita de estados produtores.

Por: Bruno Iampolsky, consultor da 33ª gestão da Insper Jr Consulting