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Economia do Compartilhamento

Economia do Compartilhamento

Economia do Compartilhamento
  • 10/01/2018 /
  • Blog Econômico

Compartilhar uma corrida, emprestar seu apartamento ou até mesmo alugá-lo por um curto período, empréstimos peer-to-peer, espaços coworking e a troca de objetos são algumas das atividades que englobam a Economia do Compartilhamento. Muitas vezes associada à geração dos Millenials, este novo modo de consumo está sendo cada vez mais utilizado em diversos setores e afeta os modelos tradicionais de negócio, levando-os a se adequar às mudanças.

Existem muitas nomenclaturas para esse novo ecossistema, como economia peer-to-peer ou on-demand, economia da confiança e consumo colaborativo. O que elas têm em comum é o fato de envolverem transações entre dois indivíduos via internet. Alguns modelos de negócios existentes se assemelham aos que estão surgindo, porém, a diferença entre eles é a tecnologia, que reduziu os custos de transação, barateando e facilitando o compartilhamento em larga escala.

Apesar de ser um padrão de consumo relativamente recente, já levou alguns players tradicionais a se reajustarem. Na Alemanha, a BMW lançou uma empresa de carsharing com o objetivo de atingir os millenials e o grupo de hotéis Accor comprou uma startup tendo em vista a concorrência de modelos como o do Airbnb. Segundo um relatório da PwC, a receita total de modelos de negócio de compartilhamento em setores como viagem, carsharing, streaming e finanças pode chegar a US$ 335 bilhões em 2025. Além do mais, 63% dos americanos concordam que realizar negócios com empresas deste ramo é mais divertido que com empresas tradicionais.

Também conhecido por consumo colaborativo, este novo segmento depende da internet e por isso sua popularidade entre os jovens. Um dos principais questionamentos dos consumidores é o motivo de possuir algo que se usa esporadicamente e se évantajoso acumular bens ao invés de ter novas experiências. Esse tipo de raciocínio vai na contramão do consumismo e do American Way of Life, em que o acúmulo de bens é visto com um símbolo de status social. Também em um estudo da PwC, 57% dos americanos concordam que o acesso é a nova posse e 66% dos consumidores afirmaram que preferem um estilo de vida com menos possessão.

As empresas que entram neste mercado em ascensão geralmente possuem alguns fatores em comum, como: plataformas digitais que unem os indivíduos interessados e que ofereçam o acesso e não a posse; formas de consumo que envolvam a interação social e o foco a experiência do consumidor. Desta forma, as companhias conseguem monetizar bens que não são frequentemente utilizados e que muitas vezes possuem um alto valor, mudando o padrão de consumo.

Caso o mercado siga as previsões, a qualidade será mais importante que o preço do produto. O motorista do Uber avaliará na compra de seu carro a sua durabilidade e preço de revenda, considerará a compra como um investimento e não como gasto, o mesmo tipo de pensamento deve acontecer com outros bens de consumo, pressionando marcas que prezam pelo preço baixo acima de tudo.

O preço sempre será um fator importante na decisão da compra, porém, com a possibilidade de ter parte do valor de volta através do compartilhamento, os consumidores estarão mais dispostos a pagar um preço maior. Além do mais, com a possibilidade de dividir o uso de, por exemplo, uma furadeira, eu entrarei em um mercado do qual antes não fazia parte e pagando menos por isso.

Enquanto os governos lutam contra o tempo para a regularização destas companhias e grandes empresas correm para adequar seu modelo de negócio, empreendedores estão tirando proveito desta nova tendência para modificar a maneira como as pessoas se relacionam e consomem.

Por: Bruno Bahia, consultor da 33ª gestão da Insper Jr Consulting