Insper Jr. Consulting

Criação de valor através da inovação

Apple, Amazon, Airbnb, Facebook, Google, Netflix, Uber – o que essas empresas têm em comum?

Criação de valor através da inovação
  • 07/11/2017 /
  • Geral

Recentemente foi divulgado um ranking das empresas mais inovadoras de 2016 pela Boston Consulting Group (BCG). Não foi tão surpreendente que a Apple e o Google praticamente lideraram as posições mais altas desde 2006 e, por outro lado, algumas estrelas ascendentes – como Netflix, Uber e Airbnb – vêm ganhando espaço no mercado. Elas não somente são as que mais cresceram na última década, mas as que mais inovaram, trazendo uma revolução digital ao mundo de bens e serviços.

O empreendedorismo e a inovação são temas em pauta no mundo globalizado, onde empresas e pessoas estão cada vez mais interligadas. Joseph Schumpeter, economista e cientista político, descreveu o processo de inovação, chamado de “destruição criativa”, no qual os novos produtos destroem os antigos e, consequentemente, modelos ultrapassados. As inovações dos novos empresários, deste modo, são o principal driver do crescimento econômico sustentável a longo prazo, mesmo que poderiam destruir algumas empresas bem estabelecidas, como o caso de redes de hotelaria, Blockbuster e taxis. 

A Blockbuster, por exemplo, era uma empresa mundialmente reconhecida de locação de vídeos – principalmente nos anos 90 – com cerca de 84,300 empregados em 9,094 lojas. A empresa até fez comerciais durante o Super Bowl, o maior campeonato de futebol americano com o minuto mais caro de propagandas na TV. Porém, em 2010 declarou falência, coincidentemente na mesma época em que a Netflix mais cresceu. Essas empresas disruptivas se alavancam através de problemas que pessoas enfrentam e alguém, desta forma, se propõe a montar uma solução. Reed Hastings, CEO da Netflix, uma vez esqueceu de devolver um DVD alugado da Blockbuster nos anos 90, gerando uma multa de US$40. Assim, por uma simples multa, Hastings teve a sua ideia para a plataforma de streaming de vídeos que se tornou uma das gigantescas do mundo do entretenimento: Netflix.

Outro exemplo seria a Apple com a indústria da música. Antigamente, fanáticos por música compravam vários CDs, mas nem sempre queriam ouvir todas as músicas dos álbuns. Assim, para curtir algumas poucas músicas eram obrigados a comprar o CD inteiro. Agora, podem escutar a mesma música não precisando comprar o álbum completo. O serviço de aquisição de músicas individuais por apenas US$0,99 no iTunes, por exemplo, ou streaming gratuito no Spotify, acabaram revolucionando as lojas digitais no mundo da música.

No caso do Airbnb, a empresa emergiu como uma das maiores redes no mundo que não possui nenhum quarto de hotel. Assim como o Spotify reposicionando o mercado da música, o WhatsApp em telefonia, ou o Uber com o serviço de transporte, o Airbnb faz parte de um cluster de startups que modificaram nichos de mercado nessa última década. Trazendo alguns números na perspectiva para comprovar sua grandeza, a Airbnb vale atualmente US$30 bilhões, cerca de US$7 bilhões a mais em valor de mercado que a maior rede de hotéis do mundo, a rede Hilton. 

No âmbito multinacional de comércio eletrônico, a Amazon foi uma das pioneiras em vender produtos pela internet e ainda é uma das mais ambiciosas do mundo, entrando em diversos setores. Muitos dos varejistas ou comerciantes foram absorvidos pela megaestrutura da Amazon. A empresa então lucra com as vendas desses comerciantes, criando um monopólio praticamente impossível de ser combatido.

A destruição criativa, portanto, é um modelo de crescimento sustentável, um fato essencial do capitalismo. Essas empresas como Netflix, Apple, Airbnb e Amazon apenas passaram a oferecer serviços superiores aos seus clientes: as cobranças de multa por atraso fizeram a Netflix emergir no mercado; a Apple possibilitou a compra de músicas individuais; a Airbnb estreou com maior variedade e quantidade; e a Amazon surgiu com uma proposta de serviço superior na experiência do cliente. O que elas fizeram foi oferecer serviços que sanavam as dores dos consumidores, suprindo a nova demanda do mercado. Assim, a destruição criativa pode ser benéfica para a economia: gera empregos, ajuda em soluções colaborativas e proporciona um melhor produto ou serviço ao consumidor.

 

Por: Guilherme Rauter, consultor da 33ª gestão Insper Jr Consulting